Famílias voltam a usar carvão no Ceará após alta do gás de cozinha

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O preparo do almoço na casa da dona Vera Lúcia dos Santos, 61, não se restringe à escolha do que vai ser servido à mesa ou dos temperos a serem utilizados. Moradora da localidade de Minguaú II, em Caucaia, ela separa alguns punhados de carvão e despeja no fogareiro de alvenaria antes de tudo, para fazer a brasa “pegar logo”.

A alternativa em usar o carvão como combustível para cozimento de alimentos, em vez do mais convencional gás de cozinha, se dá pelo peso que este último tem no orçamento de sua família.

“Uso o gás mais para esquentar uma água para um café ou alguma coisa que vá para o fogo mais rápido. Compro o gás aqui por R$65 e às vezes R$75. Assim dura mais. O saco de carvão sai a R$20 e dá para uns 15 dias”, conta a aposentada, que cozinha diariamente para uma família de dez pessoas. Marido, filhos, noras e netos não costumam reclamar.

“Fica até melhor. O fogo do carvão dá um gosto especial na comida. É bom quando tem uma carninha de porco que assa na brasa”, conta o esposo, seu Francisco Rosa Nascimento, 66, após saborear satisfeito carne cozida e baião preparados no carvão.

O percentual de lares que usam carvão ou lenha é maior no Interior que na Capital. Em Fortaleza, o método de queima está presente em apenas 1,8% dos domicílios.

“Acontece muito de ficar sem gás e sem dinheiro para trocar o botijão. Fica muito pesado usar só o gás”, explica, complementando que o uso da lenha já não é mais tão comum no local, ao contrário do carvão. “Dá mais trabalho porque tem que cortar. E nesse período de chuva, ela molha e o fogo não pega”, acrescenta.

Nordeste: Fortaleza tem 2º gás de cozinha mais caro da região
O preço médio que o cearense tem que desembolsar para comprar um botijão de 13kg de gás de cozinha é R$70,43. O levantamento referente a maio feito pela Agência Nacional do Petróleo mostra que a tarifa do Estado é a segunda mais cara do Nordeste. No topo da lista fica Sergipe (R$75,67) e o gás mais barato pode ser encontrado na Bahia (R$ 57,71).

Ao olhar para as maiores metrópoles da Região, o panorama é semelhante. Fortaleza fica atrás apenas de Aracaju entre as cidades onde é necessário desembolsar mais para comprar o botijão. Na capital sergipana, o produto chega perto dos 80 reais (R$79,08), quase quatro reais a mais que Fortaleza (R$75,43). Valores bem superiores aos observados em Salvador, onde o botijão custa R$53,38.

Segundo Bruno Iughetti, especialista em petróleo em gás, o elevado preço praticado no Ceará é explicado por uma logística onerosa no transporte do GLP até a distribuidora.

 

Fonte:COrreio 24h