Mata de São João, 172 anos. Conheça como começou essa história

Mata de São João
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Antes da chegada dos portugueses ao Brasil o índio vivia na mais perfeita harmonia com a natureza. Junto aos colonizadores vieram também os padres da Companhia de Jesus, os jesuítas, encarregados de catequizar e civilizar as tribos. A boa acolhida aos padres permitiu que rapidamente a ação evangelizadora se propagasse entre os índios, imediatamente estabeleceu-se um sistema de aldeamento, respeitando as áreas naturais em que viviam. À medida que ia se estabelecendo o controle catequético as tribos ganhavam nomes de santos que pudessem identificar melhor cada povo (1).

A ALDEIA DE SÃO JOÃO
A primitiva Aldeia de São João situava-se na atual área de Plataforma, no interior da Baía de Pirajá, em Salvador. Após uma perseguição os índios a abandonaram e encontraram refúgio uns nas margens do Rio São Francisco e outros nas margens do Jacuípe.

Era conhecida na época a Aldeia do Espírito Santo de Nova Abrantes (atual município de Camaçari), mas dali para cima poucos ousavam adentrar nas matas. Os índios, no entanto, conheciam no seio desta mata a localidade por eles chamada Jacupema (uma espécie de ave encontrada em abundancia na região). Ali, nas margens do Jacuípe (Rio dos Jacus) foi instalada a Nova Aldeia de São João, formada por índios tupinambás.

A densa mata que envolvia a aldeia possibilitou que rapidamente a nascente povoação ganhasse a designação de Mata de São João.

O BONFIM DE MATA

Mais tarde a Aldeia de São João foi levada mais para a orla marítima, mas ali em Jacupema surgiu o povoamento do Senhor do Bonfim, onde se ergueu a grande igreja de pedra e cal (da qual até poucos anos restava a Torre) e onde foi construída, entre os anos de 1756 e 1761 a Igreja do Senhor do Bonfim (época em que teve início a tradicional Lavagem da Igreja do Bonfim de Mata). Durante o governo do oitavo Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Matos (no qual deu-se a expulsão dos jesuítas), foi a localidade do Senhor do Bonfim elevada à categoria de Freguesia.

UMA CARTA PEDIU JUSTIÇA – Em 04 de setembro de 1785, o ouvidor da Câmara baiana, Francisco Vicente Viana escreveu ao então Governador da Bahia, uma carta onde solicitava a emancipação política dizendo ser “para cortar pelas raízes os males que grassam naquelas povoações em que a justiça não é conhecida por falta de pessoas que administrem. Nesta freguesia esta a povoação chamada Mata de São João, que contém em si mais de 300 fogos unidos (casas). Sou de parecer que haja Vossa Excelencia de colocar na presença de Sua Majestade a grande necessidade que há de se estabelecer uma vila no mesmo pé em que se acham as mais desta comarca. Em uma palavra, Excelentíssimo Senhor, a Mata não se pode conservar sem o respeito da Justiça”.

A despeito das justas razões descritas por Francisco Viana em sua carta histórica, somente em 15 de abril de 1846, por meio da Lei Provincial 241, a Freguesia do Senhor do Bonfim foi elevada à categoria de Vila da Mata de São João.

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A MUDANÇA DA SEDE

Em 29 de maio de 1884 foi consumada a mudança da Sede da vila, do Bonfim para o local atual. Para que isso ocorresse foi fundamental a interferência de Luiz Antonio Meirelles, o Barão de Açú da Torre.

No atual centro da cidade ficava ‘O Quadro’ (hoje as praças Amado Bahia e Barão de Açu da Torre). Ali foi construída a Intendência (como era chamada a Prefeitura, atualmente sede da Secretaria de Ação Social). Nas proximidades foram construídos o Mercado Municipal (hoje Casa da Cultura); a Igreja Matriz (1929) e o Prédio Escolar (1938), hoje o Colégio Estadual Getúlio Vargas.

Foi nessa época, em que muita gente vinha para Mata de São João para descansar na cidade com fama de acolhedora, que foram fundadas as primeiras Igrejas protestantes (Assembleia de Deus, em 1945 e Primeira Igreja Batista, em 1948). A partir dos anos 50 o crescimento populacional foi muito veloz principalmente com a descoberta do petróleo e a criação do Núcleo Colonial JK e do Pólo Petroquímico de Camaçari.

O professor Antonio Crespo faz um relato da época: “… Os veranistas vinham descansar nesse verdadeiro paraíso e gozar dos banhos do Caboré. A Avenida Almeida era a única rua calçada. A partir daí começava o Largo da Estação onde de época em época apareciam os circos. O TREM DE FERRO – O Pirulito, o Mochila, o Rápido, o Trem de Alumínio, o Andorinha e o Mata Rocha, além dos trens de carga. Eis o único meio de transporte dessa época.”

Informações: Ricardo Matense – responsável pelo Projeto Rascunhos de Uma Linda História, que registra fatos da história de Mata de São João. É fundador e presidente do Instituto Carvalhos de Justiça e atualmente Vereador da cidade.

(1) O primeiro parágrafo foi extraído do texto Aldeamento, de autoria do professor David Gomes Leal.

Fonte: Direto da Cidade