Ancine cria cotas para diretores negros, mulheres, indígenas e transexuais

Cultura e Artes

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Considerando um diagnóstico feito sobre gênero e raça na produção cinematográfica brasileira, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) anunciou, na quinta-feira (29), a criação de cotas para diretores negros e indígenas e também para cineastas mulheres. As vagas valem para o edital do Concurso Produção para Cinema 2018, que destinará R$ 100 milhões a projetos de longas-metragens independentes de ficção, documentário ou animação.

De acordo com o órgão, a decisão foi tomada pelo comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, após ouvir as demandas de entidades e associações do setor audiovisual. Uma pesquisa da Comissão de Gênero e Diversidade do órgão detectou que 75,4% dos filmes lançados em 2016 foram dirigidos por homens brancos. Para mudar o cenário, a Ancine quer que, pelo menos 35% do total de vagas seja destinado a propostas que tenham diretoras mulheres, incluindo mulheres transexuais e travestis.

No mínimo, 10% do montante será reservado a projetos com diretores negros e indígenas. Os R$100 milhões são provenientes do Fundo Setorial de Audiovisual, gerido por representantes da Ancine, do Ministério da Cultura, de agentes financeiros credenciados e da indústria audiovisual.

A principal fonte de receita do fundo é a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), que é cobrada sobre veiculação, produção, licenciamento e distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais. "A ideia é que o instrumento ajude a diversificar a produção audiovisual nacional, criando produtos que reflitam a imagem e a realidade da maioria da população brasileira", informou o órgão. Há dois anos, um levantamento divulgado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mostrou que nenhum dos 20 filmes nacionais com as maiores bilheterias entre 2002 e 2014 foi dirigido por uma mulher negra. Além disso, apenas 2% foram dirigidos por homens negros.

A desigualdade é similar ao observado nas salas de cinema. Embora as mulheres representam 53% do total de graduados em cursos de audiovisual e respondam por 52% dos empregos formais em empresas produtoras, assinaram apenas 15% das obras brasileiras veiculadas nos canais de televisão por assinatura no ano passado. Setenta e nove por cento dos filmes exibidos foram dirigidos por homens e 6% tiveram direção mista. Em 28 canais, não houve sequer uma produção com direção exclusivamente feminina.

 

Fonte: BN