Arte Eletrônica Indígena remixa cultura de aldeias da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Sergipe

Cultura e Artes

Bruno Gomes A Terra que nós somos

Uma cartografia sonora indígena por meio da gravação de sons de paisagens e histórias, a produção de músicas de um cantor e instrumentista indígena, a projeção de pinturas indígenas no corpo, o estímulo do diálogo transgeracional indígena por meio da produção de fotografias, cestarias e trançados usando fibra ótica, micro controladores e sensores. Essas são algumas das ideias propostas pelas residências artísticas do projeto Arte Eletrônica Indígena (AEI), que acontecem até julho em nove aldeias da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Sergipe, envolvendo centenas de indígenas de todas as gerações.

O projeto foi idealizado pela ONG Thydêwá com patrocínio da Oi e Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, com apoio do Oi Futuro.

AEI conta também com o apoio da British Academy. A lista dos 12 artistas selecionados oriundos do Brasil, Reino Unido e Bolívia está disponível no site http://aei.art.br/.

Em agosto de 2018, as obras criadas nesse encontro serão exibidas no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), com uma semana de atividades e oficinas dentro do Festival AEI com a presença de mais de 12 protagonistas do projeto, entre indígenas e não indígenas. Mostras itinerantes do AEI acontecem nas próprias comunidades indígenas entre setembro e dezembro, dentro da proposta do MAM-Expandido.

O AEI é um programa de vanguarda e inovação que promove a produção colaborativa e cocriada entre diferentes artistas e indígenas de diferentes povos. Muitas das iniciativas selecionadas abordam linguagens artísticas ainda não nomeadas, expressões híbridas, fusão de suportes, e a convergência das tecnologias analógicas e digitais, potencializando a expressão da vida.

As comunidades indígenas que estão recebendo os residentes são Karapotó Plakiô / São Sebastião – AL; Kariri-Xocó / Porto Real do Colégio – AL; Pankararu / Tacaratu – PE; Pataxó Dois Irmãos / Prado – BA; Pataxó Trambuco / Porto Seguro – BA; Pataxó Hã Hã Hãe / Pau Brasil – BA; Tupinambá de Olivença / Ilhéus – BA, Xocó / Porto da Folha - SE e Aldeia do Cachimbo / Itapetinga - BA.

Entre os objetivos do projeto AEI, estão: promover intercâmbios das expressões culturais entre artistas e indígenas, nos âmbitos da Bahia e do mundo, incentivar a inovação e o uso de novas tecnologias em processos culturais e artísticos, e valorizar a diversidade artística e cultural em diálogo.

"Estar entre os 34 projetos aprovados na Seleção Nacional de Projetos Culturais da Oi Futuro, reforça a seriedade e importância do trabalho que a Thydêwá vem realizando nos últimos anos em prol do fortalecimento da causa indígena. São sempre projetos inovadores, criativos e que provocam toda a equipe envolvida. No caso do AEI, provoca os artistas que farão as residências, a saírem do lugar comum e pensar de forma mais colaborativa e criativa. É um desafio e uma diversão trabalhar num projeto tão rico em criatividade e provocações", ressalta o produtor executivo do AEI, Tiago Tao.

Um dos artistas selecionados, Naum Bandeira, explica que pretende introduzir o tema da arte rupestre para a comunidade do ponto de vista teórico, para depois fazer uma releitura plástica. "A expectativa é a melhor possível, tenho ancestrais indígenas e já conheço o trabalho da Thydêwá há vários anos. Essa proposta é pertinente pois a cultura indígena continua atual e trazer ela para o Museu de Arte Moderna da Bahia, que é o local ideal para uma exposição de arte contemporânea, da visibilidade às trocas artísticas que vamos construir ao longo do projeto".

Durante a residência, a artista boliviana Aruma/Sandra de Berduccy pretende trabalhar com processos artesanais de materiais locais, como cestarias e trançados. Segundo a artista, "inicialmente, se propõe realizar experiências simples, relacionadas a visualizar a energia e a eletricidade, que nos rodeia. Seguida de uma introdução a materiais eletrônicos e, finalmente, a criação de obras onde se combinarão conhecimentos, processos e materiais tradicionais com materiais pouco usuais como fibra ótica, micro controladores e sensores".

O presidente e fundador da ONG Thydêwá (www.thydewa.org), Sebastian Gerlic, destaca a relevância do projeto para a exaltação da diversidade. "Para a Thydêwá é uma alegria muito grande iniciar esse projeto pois há mais de 10 anos facilitamos essa interação entre artistas e indígenas e vice-versa, promovendo o diálogo e a co-criação, na intenção de que as mensagens produzidas através dessa diversidade de sentimentos e ações possam ser espalhadas pelo mundo. Por que justamente com esse tipo de mensagem que conseguimos superar as divergências, somar na diversidade e entender que somos todos um".

O AEI tem uma equipe curadora internacional de sete pessoas, entre elas a Dra. Thea Pitman, da Universidade de Leeds (Reino Unido) que está também envolvida no projeto como investigadora, contando com o apoio da British Academy. Para Thea, "o AEI é uma iniciativa emocionante, estou na expectativa da diversidade de resultados e de como eles vão atuar no Festival no MAM em agosto. Estou especialmente interessada em pesquisar de que formas a arte digital pode colaborar em expandir as mensagens indígenas e como os processos colaborativos podem enriquecer a todos os participantes". Thea está atualmente buscando montar uma mostra do AEI no Reino Unido.

 

 

Fonte: Ascom

 

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