Anestesistas rompem contrato com Planserv; governo garante atendimento gratuito

Saúde

Os anestesistas que atendiam beneficiários do Planserv suspenderam o atendimento nesta segunda-feira (7). Em nota, o presidente da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-Ba), Carlos Eduardo Aragão de Araújo, disse que o órgão rescindiu o contrato com o plano de saúde que atende servidores públicos baianos por causa de um impasse sobre o reajuste do valor pago.

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O imbróglio começou em 2017. Segundo o Coopanest-Ba, o último reajuste do contrato ocorreu em 2015 e o grupo tentava um acordo com o Planserv sobre o valor a ser pago. Diante das negativas, em julho de 2018 a cooperativa teria notificado o plano de saúde que rescindiria o contrato dentro de 90 dias.

Ainda segundo a nota, foi acordada a formação de um grupo de trabalho em outubro do ano passado com representantes da Coopanest, do Planserv e da Secretaria da Fazenda do estado (Sefaz), para realizar estudos sobre uma proposta de reajuste em comum. O cronograma previa que uma proposta seria apresentada no dia 30 de novembro. Porém, o Planserv teria instituído o grupo apenas no dia 23 de novembro, e não teria apresentado até então qualquer sugestão ao grupo.

O presidente da cooperativa sugeriu, no comunicado, que os beneficiários do Planserv deveriam negociar o valor a ser pago ao anestesiologista diretamente pelos pacientes, com exceção de procedimentos de urgência e emergência, em que a cobrança seria realizada depois.

O OUTRO LADO

Em nota enviada ao Bahia Notícias, a Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) informou que os hospitais credenciados à rede Planserv estão aptos a prestar todos os serviços médicos aos beneficiários e devem garantir anestesistas sem custos. “Essas unidades, conforme determina contrato, devem oferecer os serviços de anestesia sem qualquer tipo de cobrança aos beneficiários Planserv. Os serviços de anestesia podem ser prestados diretamente pelos hospitais, pois já estavam previsto desde quando a rede credenciada estabeleceu relação contratual com o plano”, diz a Secom.

A secretaria reforça, ainda, que a premissa do Planserv “é manter a regularidade do atendimento aos beneficiários” e que “está adotando todas as medidas necessárias para que as cirurgias continuem sendo realizadas sem qualquer tipo de prejuízo em toda a rede de prestadores”. O Planserv salienta ainda que os beneficiários podem, a qualquer momento, entrar em contato com a sua Central de Relacionamento 24 horas, no telefone 0800 56 6066, para mais informações.

NOVO IMPASSE

O problema, contudo, ainda não foi resolvido. Em resposta ao esclarecimento do governo, a Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb) informou que os contratos dos anestesistas são feitos diretamente pelo Planserv, "não sendo esta especialidade médica contratualizada por meio dos prestadores de serviços credenciados".

"Há quase uma década, o Planserv decidiu contratualizar o serviço de anestesia por meio da Coopanest-Ba, retirando das instituições de saúde essa prerrogativa. Os médicos anestesistas, então, passaram a ter autonomia para negociar com o Planserv. [...] Portanto, não cabe exigir que qualquer hospital empreenda uma ação que está fora da sua alçada", diz a Ahseb. A associação diz ainda que tem "apreensão a respeito dos desdobramentos da decisão dos anestesistas, situação esta que afeta não somente o Planserv, mas as instituições de saúde em geral", e reforça que uma solução depende "exclusivamente da capacidade de diálogo das duas partes envolvidas".

 

Fonte: Bahia Noticias